SEJA BEM VINDO!!!

Sinta-se à vontade para refletir sobre o rico meio de se comunicar.



sábado, 27 de março de 2010

Uma terna reflexão


Postar em meu blog a respeito dos textos "Memória de livro" (texto esse gostoso de ler e muito bem redigido por João Ubaldo Ribeiro) e "Leitura" (indignação e repulsa no texto escrito por Graciliano Ramos ) que contam sobre o aprendizado da leitura na infância, os prazeres e os desprazeres desse exercício, me faz refletir a fundo sobre a influência da minha família no meu ato de ler e escrever, e o quanto isso fez eu revolver minhas lembranças guardadas no saco da memória. Lembrar de momentos tão familiares e únicos é fazer uma verdadeira viagem no tempo, e reviravolta na história da minha vida, até porque não estou a buscar lembrança à toa, lembrança sem grande marca, mas sim estou buscando nesse exato momento uma das principais marcas gravadas no meu jeito de ser e agir, que é minha maneira de ler e escrever. Posso me lembrar das histórias e músicas que meu avô Pedro lia insistentemente todas os dias, histórias em que o autor era ele próprio, músicas em que o compositor era ele mesmo... Pedaços de folhas antigas, sujas, rasgadas, repletas de poesias, poemas e versos. Caixa de sapato, ops... Caixa de desabafo, onde ali se encontravam alegrias e tristezas, emoções e friezas, verdades e mentiras e todas essas informações corriam direto ao meu encontro, sentava no carpete da casa de meus avós e lia ou tentava ler a letra remota e singela do senhor Pedro, espalhava aquelas folhas com diversas palavras pelo chão da casa, e queria que lessem uma por uma pra mim. Com sete anos de idade eu morava com meus avós e ia a minha casa (dos meus pais) apenas aos finais de semana, por isso passava boa parte do meu tempo participando com meu vovô de suas construções poéticas, orgulhava-me dele e considerava-o um verdadeiro artista, um verdadeiro escritor, minha mãe (sua filha), também o admirava muito e sempre me dizia o quanto ele a incentivou para ter aquela estante de casa tão repleta de livros, os quais ela já havia lido, e relia todas as noites; minha tia, obtém hoje carreira acadêmica e para isso teve de escrever diversos livros da sua área, sempre relatando aos filhos o quão prazeroso foi escrevê-los; meus primos, vivem colados em livros, e não há presente mais admirável e louvável do que um bom livro, férias pra eles é deitar em uma rede tendo em mãos o seu apreciado baú de histórias feito de folhas e palavras.
Com tudo isso, eu chego na mais legítima e terna reflexão: Quão belo é me enxergar através da raiz e cultura em que fui inserida, enxergar meus hábitos, prazeres, dificuldades e facilidades simplesmente através de uma olhadela para história da minha família.

sábado, 20 de março de 2010

Descoberta

A leitura que fiz do texto “A Filosofia da Composição” de Edgar Allan Poe (no qual ele relata o processo da escrita do seu poema “O Corvo”) foi mais interessante e prazerosa do que a leitura do próprio “O Corvo”.
Primeiro porque como disse Allan Poe, falar dos bastidores de uma escrita é uma lacuna literária, pois qual é o autor que deixaria a vaidade de lado, o sutil frenesi, a intuição extática e assumiria o processo racional e matemático de sua escrita. Allan Poe resolveu cobrir esta lacuna e revelou em seu texto o modus operandi do poema “O Corvo”.
Depois porque ao ler “A Filosofia da Composição” me surpreendi com o problema matemático que o autor colocou em suas próprias mãos, e que a partir do problema criado, seu único alívio seria encontrar a solução, pois então, utilizando fórmulas e equações pouco a pouco ele se aproxima da resposta a qual deveria ser exata, nem 9,9 e nem 10,1 e sim 10. Deixando todo o sentimento de lado, toda “inspiração”, todo frenesi, ele vai desenrolando o processo de sua escrita cada vez mais racional, e certo da onde quer chegar.
E assim Poe escreve de traz para frente uma de suas poesias mais conhecidas e reconhecidas de sua história literária, o que é uma grande surpresa e controvérsia na mente de qualquer leitor que ao interpretar a poesia subitamente acredita que quem a escreveu, escreveu com muito sentimento, muito anseio e no mínimo deveria estar envolvido emocionalmente com sua escrita.
Resumidamente, Allan Poe através do texto “A Filosofia da Composição” me mostrou um novo universo da escrita e uma nova forma de encarar uma poesia.

[...Aqui posso afirmar que meu poema começara pelo fim, como deveriam começar todas as obras de arte...] POE, E.A. 1985. A filosofia da composição.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pergunta sem resposta...


Pergunta sem resposta...
Por que uns escrevem com tanta facilidade, enquanto outros consideram o ato da escrita um sacrifício. É uma grande incógnita que não se obtém uma única resposta. Dom? Inspiração? Depende do que enxergamos como dom e inspiração.
Indago isto após a analise de três textos, os quais abordam a discussão sobre o ato da escrita - dom ou muita prática.
Dois deles concordam entre si:
- A inspiração não vem para todos, de Rachel de Queiroz - e - Trechos da entrevista com João Cabral de Melo Neto, publicada nos Cadernos de literatura brasileira.
O ato da escrita é algo que depende de racionalização, prática e, contudo é um trabalho árduo.
Porém, o terceiro texto divergi toda esta reflexão e o mais intrigante que ele também é da autora Rachel de Queiroz - Escrever; neste texto ela dá um outro panorama sobre a escrita, acreditando existir uma certa inspiração sobrenatural para tal fato; " ...para escrever, tem que haver o dom da escrita, tal como para o cantor é preciso o dom da voz"
De fato não é fácil escrever, e nem ao menos fácil entender como funciona nosso raciocínio durante o ato da escrita, às vezes penamos para sair uma dúzia de palavras, no entanto outras vezes deslizamos nossa mão sobre o papel com tamanha facilidade, é tão obscuro este entendimento que verificamos a controvérsia de opinião da própria autora Rachel de Queiroz.
Ponderando os três textos acredito que acima de tudo está a prática e a dedicação, levando também em considerarão nossa cultura, o meio em que vivemos, hábitos e costumes que nos cercam e principalmente o nosso contexto social, tudo isso pode nos afastar ou nos aproximar do ato da escrita, e no caso de aproximação pode despertar em nós paixão e até mesmo prazer.


"Ai de nós - é mesmo assim como eu disse: pena, padece e só então escreve" - Rachel de Queiroz - A inspiração não vem para todos.

O Corvo - O que senti ao lê-lo!?


O Corvo
Poema de Edgar Allan Poe
Tradução de Fernando Pessoa

Um poema narrado em primeira pessoa, o qual trata dos problemas da alma de um homem na sua maior intimidade e solidão, em seu poema ele utiliza muitas palavras que nos remetem ao inferno.


O que senti ao lê-lo!?

Na primeira estrofe do poema não compreendi absolutamente nada, precisei voltar e lê-la novamente pensando comigo mesma o quanto precisava mergulhar no poema para compreendê-lo e assim fazer algum sentido para mim.
Nas próximas 4 estrofes, mergulhei, compreendi e estava me divertindo, de repente, como num súbito, eu despertei para vida real, para o barulho que me cercava, para as pessoas que falavam comigo.... Assim me distraindo demorei novamente para retomar o prazer de lê-lo, então tive pressa e muita vontade de me concentrar.
Li uma única estrofe três vezes seguida e segui minha viagem naquele poema, agora sem me preocupar em entendê-lo, mas sim em terminá-lo, foi aí que todo o barulho em minha volta ficou ainda maior, e tudo que me vinha à cabeça era o barulho, inclusive grande de mais para uma concentração de leitura. Falei comigo mesma... “Não, não posso fazer assim, apenas olhar um mar de palavras, preciso associá-las”, aí continuei mais lentamente, mas meu corpo falou mais alto, quando estava quase para terminar o poema, parei, peguei uma bala, me espreguicei e vi se havia ligações em meu celular.. Foi depois desse acontecimento que terminei lendo com pressa e ansiedade, pois minha maior preocupação era acabar logo para dizer o quanto esta leitura dentro desse enorme contexto foi cansativa para mim. Definitivamente tenho que estar concentrada e ter um bom propósito para que minha leitura seja prazerosa e tenha êxito.

domingo, 7 de março de 2010

Respostas no papel


"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"


Autor desconhecido - acreditava ser de Clarice Lispector, segundo informações do site: Pensador.info, porém realizei pesquisa detalhada e não encontrei de qual obra este poema foi retirado. Contudo continuo a gostar do poema e por isso não retiro minhas palavras a baixo.

A maior dificuldade do ser humano é compreender ele mesmo.
A maior busca do ser humano é entender a vida.
Os mais confusos são os que não aceitam.
Os mais complexos são os mais profundos.
Os que indagam, perguntam e não compreendem, são aqueles que passam tudo para o papel...
...E nesse ato de passar ultrapassam as respostas corriqueiras, descobrindo novos porquês e novas respostas.

Hábito da Leitura


Pra mim há uma linha tênue entre escrever e ler, e são práticas muito distantes...
... Sempre gostei de escrever até porque aprendi a me expressar melhor no papel do que oralmente. Porém o fato de aprender a gostar de ler veio como obrigação para escrever ainda mais e melhor, como posso escrever bem e acertar as milhares regras da gramática se não as estudo?! É como um chute no escuro, e fui chutando durante muito tempo da minha adolescência, as vezes fazia gol, as vezes trave e muitas vezes era pra fora, decidi mudar este placar e tirar a venda...Hoje tenho muito prazer na leitura, porém ainda estou no processo de amadurecimento e enriquecimento desse hábito, o qual, facilita cada vez mais o meu prazer de escrever.

sábado, 6 de março de 2010

O preço da maturidade

Antes não tivessem existido escolhas.
Antes não tivessem ocupado cargos importantes.
Antes não tivessem adquirido a cultura do mundo capitalista.
Antes não tivessem encontrado seu verdadeiro amor.
Antes não tivessem aprendido a reagir
Antes fossem aqueles meninos.
Antes tivessem aquela inocência.
Deixassem toda armadura, cultura, luxuria...soberba!
E vivessem mais de poesia.
E brilhassem mais na simplicidade.
E tivessem o coração dos não civilizados.
Há inocência nos sábios?
A inocência dos leigos!
Há arrogância nos leigos?
A arrogância dos sábios!
Antes tivessem aquela humildade de outrora...
...Existente, mas apagada na envergadura da maturidade, na liberdade de se aperfeiçoar.