SEJA BEM VINDO!!!

Sinta-se à vontade para refletir sobre o rico meio de se comunicar.



quarta-feira, 23 de junho de 2010

Resposta - O ato de escrever

PERGUNTA – Renata Padilha:
"Após o conhecimento e a reflexão sobre o processo cognitivo da escrita, quais são os benefícios deste estudo na prática da escrita?”

Acredito que após conhecer o processo cognitivo da escrita passamos a encará-la de outra maneira, com mais seriedade, compromisso, entendendo que existe a necessidade de estudar para escrever, de se preparar para a escrita. A escrita não vem como dom, ou como processo de inspiração, mas depende do esforço do escritor, da busca por melhora, da sua racionalização a cerca do conteúdo desejável. Quando concebemos que a escrita também passa por um procedimento na nossa cognição, passamos a não escrever apenas em busca do nosso próprio prazer, mas escrever com maturidade o que nos for proposto e assim nos presentear com o trabalho realizado.

Resposta - Os leitores silênciosos

PERGUNTA - Elis:
“A passagem da leitura oral para a leitura silenciosa, nos trouxe diversas mudanças positivas. No entanto, a oratória que tanto era valorizada, quase foi extinta, ficando hoje restrita a poucos eventos como discursos políticos, saraus, ou aulas e conferências. O que ganhamos e o que perdemos nessa trajetória?”

Na trajetória da leitura oral para leitura silenciosa, ganhamos muita autonomia, liberdade senso crítico e enriquecimento filosófico, uma vez que temos um contato mais intimo com nossa própria leitura. Podemos ler dentro do nosso tempo e espaço, refletir melhor sobre o tema, analisar outras leituras para tecer comparações, e dessa maneira nos apropriar de um conhecimento muito mais amplo e enriquecido. No entanto, deixando de lado a leitura oral, perdemos um pouco do prazer de compartilhar e de se relacionar com o outro. À medida que trancamos nossos conhecimentos apenas a nós mesmos, não abrimos para discussão com o próximo, e deixamos de adicionar na vida de outros um novo saber.

domingo, 20 de junho de 2010

Resposta - O Hipertexto e a internet

PERGUNTA - Barbara:
"Hoje em dia, vivemos em uma sociedade em que a tecnologia está cada vez mais presente. Com a chegada do hipertexto, como podemos usufruir da melhor maneira possível de suas ferramentas, afim de aumentar o conhecimento/informação sobre o assunto abordado?"

Não há dúvidas de que o hipertexto é uma ferramenta indispensável nos dias de hoje, através desta temos mais autonomia e podemos navegar livremente pela internet. Para usufruirmos do hipertexto da melhor maneira, temos que encará-lo como uma ferramenta de apoio em nossas pesquisas. No entanto para não nos perdermos em nossa leitura e segui-la até o final, temos que cuidar para não haver grandes distrações com os links. Se assumirmos um caráter investigativo, de pesquisa acredito que o hipertexto terá muito a nos acrescentar e apoiará a nossa busca pelo conhecimento.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Resposta - O ato de ler

PERGUNTA - Flávia:
"Ao conceber a atividade da leitura como sendo um diálogo que se estabelece entre o leitor e o autor através do texto, nos deparamos com uma pluralidade da leituras. Em sua opinião, quais os pontos positivos e negativos desse fato para o ensino da leitura?"

Quando tomamos prazer pela leitura, percebemos que o ato de ler não significa simplesmente introduzir para nossa mente palavras expostas num papel,percebemos que o texto não está estático, morto.
Ao terminarmos um texto ou um livro, no qual o tema nos interessou bastante,notamos que houve algo diferente nesta leitura, conversamos com o autor, debatemos em nossa mente suas palavras, estabelecemos um diálogo entre indagações, descobertas, críticas e ousadias de ir além das palavras do texto. Ou seja, acabamos de realizar uma leitura prazerosa, dinâmica, e cheia de vida.
Nesta dinâmica, e provavelmente, neste debate entre autor e leitor, ocorreu a total autonomia do leitor que pode escolherer em qual caminho iria percorrer a sua leitura,provavelmente aquele que lhe parecia mais conveniente.
Justamente neste ato de escolha é que abrimos o ponto mais negativo deste diálogo, pois surgem diversas interpretações, diversas opiniões acima de um mesmo texto, opiniões que muitas vezes podem fugir completamente da idéia fundamental e do diálogo real que o autor do texto pretendia estabelecer.

domingo, 13 de junho de 2010

Resposta – A invenção da escrita

PERGUNTA - Renata Catib:
"A escrita cuneiforme possibilitou maiores nuances de sentidos e matizes de significados, possibilitando assim o registro de uma literatura muito mais rica e complexa. A sofisticação na escrita aumentou muito, mas será que a escrita pode ser considerada tão rica ou eficiente quanto a nossa linguagem oral?"

A linguagem escrita sem dúvida obteve um progresso muito considerável e cada vez mais se aproximou da linguagem oral em termos de eficiência, porém, a meu ver jamais terá a qualidade mais apreciada que linguagem oral possui e permite: possibilidade de relacionamento.
Nos dias atuais, com a escrita sofisticada e eficiente, podemos observar em muitos casos, uma substituição da linguagem oral pela linguagem escrita, principalmente com o avanço da tecnologia, onde os e-mails, orkuts e mensagens de textos, suprem de certa forma o relacionamento entre pessoas. Os homens contemporâneos estão muito mais “frios”, ativistas e fast food, onde a falta de tempo justifica a falta de relacionamento. E dentro deste contexto a linguagem escrita ganha ainda mais espaço, enquanto a oral fica tão esquecida quanto o contato físico e afetivo.

domingo, 23 de maio de 2010

Para refletir!

O texto “A história da leitura”, apresenta a passagem da leitura oral para a silenciosa, colocando a leitura silenciosa em evidencia como um ganho histórico. Com base no texto e levando em consideração suas experiências pessoais, reflita sobre a diferente sensação, interpretação e atenção que se dá a um texto lido silenciosamente por você, e um lido em voz alta para você.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Resumo - Os leitores silenciosos

Alberto Manguel apresenta em seu texto “Os Leitores Silenciosos”, a passagem da leitura oral para a leitura silenciosa que se deu entre os sécs. IV ao XII. Coloca como referência deste processo Santo Agostinho, e como adepto da leitura silenciosa o Bispo Ambrósio. Apresenta costumes, valores morais e religiosos que conduziam a sociedade à leitura oral como única naquele período. E relata que através do advento da leitura silenciosa, o formato e a maneira de escrever um texto começou a se adaptar, adequando cada vez mais com o formato de texto que conhecemos hoje. Embora a abertura para essas mudanças tenha sido benquista, houve uma renuncia do clero, no começo do séc. XII, julgando hereges os homens que praticavam a leitura silenciosa, condenando muitos a pena de morte.



Antes do séc. X a leitura era realizada apenas em voz alta, as palavras escritas eram feitas para serem pronunciadas oralmente, as palavras eram signos de sons, para os leitores da época, ler era o mesmo que conversar com o autor do texto, quando este estava ausente. Acreditavam que as palavras faladas eram a alma do texto, e que, em quanto o escrito permanecia no papel o pronunciado era capaz de voar e ter vida. O leitor tinha por obrigação emprestar a voz às letras silenciosas e transformá-las em palavras vivas.
A leitura oral, também era considerada sagrada, e nada do divino poderia se perder na leitura. A própria leitura era um ato sagrado, e vinha acompanhada de rituais e muita fé.
A leitura em voz alta estava presente dentro das bibliotecas, todos que a freqüentava eram acostumados a ler com barulho, não há registros de queixas, talvez não escutassem o alarido, talvez não soubessem que era possível ler de outra maneira.
Dentro deste contexto, em 383, estava Santo Agostinho, conhecido apenas como professor de retórica latina, este chegou em Milão com o intento de lecionar, lá reencontrou um antigo amigo de sua mãe, o bispo da cidade, Ambrósio, e foi a partir deste contato que as indagações sobre a leitura começou a fazer parte de sua rotina.
Ambrósio era um orador extremamente popular, no entanto seu maior prazer era ficar sozinho lendo em voz baixa, jamais lia em voz alta. Para Agostinho, ler era uma forma de pensar e falar, e era uma habilidade oral: oratória, e pregação, não concebia a idéia da leitura silenciosa.
As leituras eram públicas e os textos medievais necessitavam de ouvidos, ou seja, público. Por esse motivo, os textos obedeciam a um formato adequado para o tipo de leitura, as letras não eram separadas, mas sim amarradas em frases contínuas, por isso tinham formatos de carretéis de letra. Este tipo de escrita, em rolos, também não separavam minúsculas de maiúsculas e nem utilizavam pontuação, eram textos direcionados a quem sabia lê-los, a quem já era acostumado a ler em voz alta, desembaralhando as palavras antes de pronunciá-las. Os textos tinham a necessidade de serem ensaiados antes de serem lidos ao público, pois poderiam espalhar diversas interpretações.
Com intuito de auxiliar os leitores não muito habituados o texto começou a ganhar novos formatos e pontuações, primeiro com o surgimento do códice, (papiro encadernado e manuscrito em escrita contínua) adotado pelos cristãos primitivos, depois a separação das palavras, dividindo o texto em linhas de significado.
Foram através dessas primeiras modificações que surgiu o incentivo à leitura silenciosa, e causou uma série de modificações dentro do scriptoriums, nas bibliotecas e nos leitores habituais, assim como em Agostinho, o qual viveu uma passagem da leitura em voz alta para leitura silenciosa, percebendo há existência de uma melhor assimilação quando a leitura bíblica era realizada em silêncio.
Após o séc. VII, surgiu uma maior combinação de pontuação, e no séc. IX os escribas já estavam habituados com o novo modelo de escrita, introduzindo mais modificações para simplificar a leitura do texto. A partir de então, tais mudanças não cessaram, aproximando cada vez mais o texto medieval do modelo que utilizamos atualmente.
A leitura silenciosa, por sua vez, veio trazer uma melhor compreensão à medida que seu leitor pôde através dela: refletir mais sobre o assunto lido; ler de acordo com seu tempo; realizar comparações com outros livros guardados em sua memória; e carregar o livro como objeto íntimo e pessoal.
Com o passar dos sécs, através da leitura silenciosa alguns dogmatistas perceberam uma série de heresias se formando ao redor do livro sagrado. No séc. XII, a igreja instituiu a pena de morte, condenando muitos hereges a fogueira, por considerá-los leitores independentes perigosos. A leitura silenciosa e oral começou a ser alvo de discussões e de perseguições dentro das igrejas, uns diziam que a leitura da palavra de Deus deveria ser realizada por si mesmas; enquanto outros diziam que o livro no qual a igreja havia sido fundada deveria permanecer um mistério.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Educação contemporânea

Educação, tema abordado e discutido desde os primórdios até os dias atuais. Palavra presente tanto no cotidiano, quanto nos trabalhos acadêmicos, ouvida na boca de leigos a profissionais. Mas, como a educação é encarada no mundo contemporâneo?
Para essa reflexão, voltaremos nossos olhares para a historia. Há uma visão contemplada há séculos, sobre a relação da educação humana com a ética, compreendendo a existência de um ser, que nasce com a incumbência de apropriar-se de leis e regras, concebidas antes mesmo dele nascer.
Segundo Platão o homem nasce na escuridão, na ignorância, e ao longo de suas experiências e maturação da alma, vai inclinando-se a luminosidade, a sabedoria.Platão enxergava o homem nato incompleto, o qual necessitava sair da escuridão para dirigir-se a luz, a fim de buscar uma formação de homem ético.
Na visão de Aristóteles também se nota uma educação preocupada com a ética e com a moral, “(...) deve-se transmitir aos jovens, então, apenas os conhecimentos úteis que não tornam vulgares as pessoas que os adquirem (...)” (Aristóteles, Política, p. 269)
Na Idade Moderna, Rousseau apresenta uma infância afastada da sociedade cívica, que a cerca, a fim de formar uma nova moral longe da maldade humana.
Para além do Iluminismo, está Marx, que tem a intenção de aperfeiçoar um homem de caráter e boas instruções, prega o trabalho desde a infância, com o intento de dignificar o homem.
Estas visões citadas a cima, percorreram séculos e embasaram o nosso conhecimento de educação e sociedade que absorvemos até os dias de hoje. Porém, com o advento da Escola Nova, séc. XX, a concepção de educação até então idealizada, começa a mudar, e entra em cena um olhar inovador que traz a idéia de construção do homem a partir dele mesmo em contato com seu entorno. Estes, novos, educadores deixam em segundo plano as questões morais e se atentam ao desenvolvimento das características mentais da formação humana, apontadas por J. Piaget.
A partir de então, uma nova idéia da formação do homem passa a ser discutida. De acordo com Montessori, o ser humano nasce com potencialidades que precisam ser desenvolvidas conforme seu ambiente, sem receber, durante esse desenvolvimento, interferência alguma de um adulto; também concebe a formação do ser humano maduro como incompleta, ou seja, em constante transformação, e aprendizado.
A educação de hoje é a de aproximar as crianças delas mesmas, e não o contrário, demonstrando a elas a importância de suas próprias experiências, o contato desta com o externo e interno, permitindo e incentivando suas descobertas. Hoje, pretende-se educar a criança para que na sua fase adulta contemple: construção da sabedoria, sem imposição; constante aprendizagem; e capacitação para relacionar-se de forma saudável com o seu meio.
A criança não é mais um ser em posição inferior ao adulto, mas atuante no seu desenvolvimento, dentro de uma relação horizontal com quem a educa, gozando do aprender e do ensinar.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O livro medieval

O texto “Os livros da Idade Média”, escrito por Jacques Verger fala sobre o acesso aos livros entre os séculos XIV e XV , coloca em questão dois obstáculos, um de ordem social e outro de ordem financeira, os quais desencadearam o difícil acesso ao livro .
O obstáculo de ordem financeira diz respeito ao alto custo dos livros, por conta de sua reprodução em baixa escala, os quais eram pergaminhos manuscritos por escribas (verdadeiros artesãos e copistas raros das grandes cidades), o custo foi-se tornar um pouco mais baixo no séc. XIV com a difusão do papel chiffon, mas ainda assim muito dispendioso.
O obstáculo de ordem social trata do acesso às bibliotecas, restrito apenas aos homens do saber. As bibliotecas do séc. XIV e XV eram precárias e modestas, continham poucos livros, e de insuficientes títulos, estas eram particulares e “públicas”; as particulares pertenciam aos príncipes de sangue ou grandes senhores, e aos estudantes e professores; as “públicas” (mas não de livre acesso) eram as principescas (freqüentadas por familiares de soberanos), as catedrais (freqüentada por senhores do clero) e universitárias (freqüentadas por estudantes e homens do saber), sendo assim o acesso dos cidadãos comuns aos livros continuava dificultoso.
Esses obstáculos de acesso ao livro, levaram a uma busca por um novo tipo de reprodução, foi então o advento da tipografia, no segundo terço do séc. XV, na Itália. A reprodução impressa era realizada em baixa escala, com um material de pouca durabilidade, e oferecia poucos títulos, por isso apresentou uma difusão muito lenta, os homens do saber continuavam a valorizar os livros manuscritos e obtinham uma certa resistência ao novo. No entanto a reprodução impressa no período medieval foi sem dúvida a responsável pelo efetivo progresso cultural e alargamento do público.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O difícil acesso aos livros

O texto “Os livros da Idade Média”, escrito por Jacques Verger coloca em questão a maior problemática do séc. XV, no que diz respeito ao acesso aos livros: o seu alto custo. Aponta três principais características desta abordagem: a confecção dos livros, através de manuscritos, realizadas por copistas; as bibliotecas do período medieval, modestas e de poucos conteúdos; e a reprodução dos volumes, a qual teve um pequeno progresso cultural a partir do segundo terço do séc. XV com o advento da tipografia, porém este progresso se deu de forma lenta e ainda muito restrita aos homens do saber.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Cosntrução


Construir uma história exatamente no ato da escrita, sem saber qual o rumo que irá ser tomado, sem prever, e ainda por cima sem conseguir mudar a direção natural da vida dessa história, como se a mesma tivesse ganhado vida própria, onde tudo parece conspirar para um caminho tristemente previsível, foi sem dúvida o que mais me aguçou ao conhecer a peleja e o anseio de um autor na constituição de sua história, e me fez compreender a respeito da luta existente no processo de criação, assim fez Clarisse Lispector na sua obra "A Hora da Estrela", retratando o sentimento mais profundo de um autor durante a construção de um livro em que ele mesmo não sabia o final, a cada parágrafo a história ia se formando num processo de batalha. E conversando consigo mesmo, colocando em questão seus transtornos interiores, e muitas vezes se comparando com a vida infeliz de sua protagonista, o autor vai desafiando a si mesmo num montante de dúvidas e incertezas sobre o rumo e desfecho da vida de sua personagem e passo a passo vai tornando-a cada vez mais viva e real.
Clarisse com sua obra tira as cortinas dos bastidores colocando o leitor ao lado do escritor num processo mútuo, onde a história vai sendo construída a cada instante, a medida que o leitor vai se aproximando do final.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Escrever é diluviar nossa interioridade.

Ao ler “Mergulho num lago gelado” de Susan Sontag, senti a mesma sensação de ler alguns trechos do livro “Como escrevo?” de José Domingos de Brito, porém o primeiro mais aprimorado e detalhista.
Realmente gosto de ler como autores pensam o ato da leitura e da escrita, pois ao verificar isto, percebo que nós simples leitores e meramente escritores, (apenas quando se faz necessário), não somos de total forma um desdenhado da literatura, saber como grandes escritores escrevem nos coloca praticamente no mesmo patamar deles, motivo: para esses autores não é apenas sentar e escrever, deixando que a mente automaticamente escorregue a tinteira sobre o papel originando luminosos textos, ao avesso, escrever é uma auto-exigência de suportar o processo de idealização e construção, o qual gera até mesmo uma luta interior. Para cada escritor a escrita se dá de forma diferente, e comparando um com outro, vemos que o processo é contraditório, pois não há formula mágica, nem existe uma ciência da escrita, a qual esclarece como se dá esse proceder, concluo que se dê apenas por uma mistura e um dilúvio das experiências e interioridades de cada um.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Leio descalço


Já sei, já disse que sei a importância de toda leitura.
Posso ter minha preferência.
Devo ter minha precedência.
A brasileira é minha casa, minha literatura.

Não posso negar das simples palavras sua leveza.
Nem do humilde escrever tamanha sutileza.

Vem ao meu encontro como parte do que é meu.
Texto singelo, sou por inteira eu.

Não há como fugir da minha raiz e cultura.
Da minha brasileiridade em forma de escultura.

Leio descalço, desnudo de mim.
Na rede da varanda não preciso do fim.

Não se faz esforço, entrosamento, procura.
É assim, basta à leitura sua própria leitura.

sábado, 27 de março de 2010

Uma terna reflexão


Postar em meu blog a respeito dos textos "Memória de livro" (texto esse gostoso de ler e muito bem redigido por João Ubaldo Ribeiro) e "Leitura" (indignação e repulsa no texto escrito por Graciliano Ramos ) que contam sobre o aprendizado da leitura na infância, os prazeres e os desprazeres desse exercício, me faz refletir a fundo sobre a influência da minha família no meu ato de ler e escrever, e o quanto isso fez eu revolver minhas lembranças guardadas no saco da memória. Lembrar de momentos tão familiares e únicos é fazer uma verdadeira viagem no tempo, e reviravolta na história da minha vida, até porque não estou a buscar lembrança à toa, lembrança sem grande marca, mas sim estou buscando nesse exato momento uma das principais marcas gravadas no meu jeito de ser e agir, que é minha maneira de ler e escrever. Posso me lembrar das histórias e músicas que meu avô Pedro lia insistentemente todas os dias, histórias em que o autor era ele próprio, músicas em que o compositor era ele mesmo... Pedaços de folhas antigas, sujas, rasgadas, repletas de poesias, poemas e versos. Caixa de sapato, ops... Caixa de desabafo, onde ali se encontravam alegrias e tristezas, emoções e friezas, verdades e mentiras e todas essas informações corriam direto ao meu encontro, sentava no carpete da casa de meus avós e lia ou tentava ler a letra remota e singela do senhor Pedro, espalhava aquelas folhas com diversas palavras pelo chão da casa, e queria que lessem uma por uma pra mim. Com sete anos de idade eu morava com meus avós e ia a minha casa (dos meus pais) apenas aos finais de semana, por isso passava boa parte do meu tempo participando com meu vovô de suas construções poéticas, orgulhava-me dele e considerava-o um verdadeiro artista, um verdadeiro escritor, minha mãe (sua filha), também o admirava muito e sempre me dizia o quanto ele a incentivou para ter aquela estante de casa tão repleta de livros, os quais ela já havia lido, e relia todas as noites; minha tia, obtém hoje carreira acadêmica e para isso teve de escrever diversos livros da sua área, sempre relatando aos filhos o quão prazeroso foi escrevê-los; meus primos, vivem colados em livros, e não há presente mais admirável e louvável do que um bom livro, férias pra eles é deitar em uma rede tendo em mãos o seu apreciado baú de histórias feito de folhas e palavras.
Com tudo isso, eu chego na mais legítima e terna reflexão: Quão belo é me enxergar através da raiz e cultura em que fui inserida, enxergar meus hábitos, prazeres, dificuldades e facilidades simplesmente através de uma olhadela para história da minha família.

sábado, 20 de março de 2010

Descoberta

A leitura que fiz do texto “A Filosofia da Composição” de Edgar Allan Poe (no qual ele relata o processo da escrita do seu poema “O Corvo”) foi mais interessante e prazerosa do que a leitura do próprio “O Corvo”.
Primeiro porque como disse Allan Poe, falar dos bastidores de uma escrita é uma lacuna literária, pois qual é o autor que deixaria a vaidade de lado, o sutil frenesi, a intuição extática e assumiria o processo racional e matemático de sua escrita. Allan Poe resolveu cobrir esta lacuna e revelou em seu texto o modus operandi do poema “O Corvo”.
Depois porque ao ler “A Filosofia da Composição” me surpreendi com o problema matemático que o autor colocou em suas próprias mãos, e que a partir do problema criado, seu único alívio seria encontrar a solução, pois então, utilizando fórmulas e equações pouco a pouco ele se aproxima da resposta a qual deveria ser exata, nem 9,9 e nem 10,1 e sim 10. Deixando todo o sentimento de lado, toda “inspiração”, todo frenesi, ele vai desenrolando o processo de sua escrita cada vez mais racional, e certo da onde quer chegar.
E assim Poe escreve de traz para frente uma de suas poesias mais conhecidas e reconhecidas de sua história literária, o que é uma grande surpresa e controvérsia na mente de qualquer leitor que ao interpretar a poesia subitamente acredita que quem a escreveu, escreveu com muito sentimento, muito anseio e no mínimo deveria estar envolvido emocionalmente com sua escrita.
Resumidamente, Allan Poe através do texto “A Filosofia da Composição” me mostrou um novo universo da escrita e uma nova forma de encarar uma poesia.

[...Aqui posso afirmar que meu poema começara pelo fim, como deveriam começar todas as obras de arte...] POE, E.A. 1985. A filosofia da composição.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pergunta sem resposta...


Pergunta sem resposta...
Por que uns escrevem com tanta facilidade, enquanto outros consideram o ato da escrita um sacrifício. É uma grande incógnita que não se obtém uma única resposta. Dom? Inspiração? Depende do que enxergamos como dom e inspiração.
Indago isto após a analise de três textos, os quais abordam a discussão sobre o ato da escrita - dom ou muita prática.
Dois deles concordam entre si:
- A inspiração não vem para todos, de Rachel de Queiroz - e - Trechos da entrevista com João Cabral de Melo Neto, publicada nos Cadernos de literatura brasileira.
O ato da escrita é algo que depende de racionalização, prática e, contudo é um trabalho árduo.
Porém, o terceiro texto divergi toda esta reflexão e o mais intrigante que ele também é da autora Rachel de Queiroz - Escrever; neste texto ela dá um outro panorama sobre a escrita, acreditando existir uma certa inspiração sobrenatural para tal fato; " ...para escrever, tem que haver o dom da escrita, tal como para o cantor é preciso o dom da voz"
De fato não é fácil escrever, e nem ao menos fácil entender como funciona nosso raciocínio durante o ato da escrita, às vezes penamos para sair uma dúzia de palavras, no entanto outras vezes deslizamos nossa mão sobre o papel com tamanha facilidade, é tão obscuro este entendimento que verificamos a controvérsia de opinião da própria autora Rachel de Queiroz.
Ponderando os três textos acredito que acima de tudo está a prática e a dedicação, levando também em considerarão nossa cultura, o meio em que vivemos, hábitos e costumes que nos cercam e principalmente o nosso contexto social, tudo isso pode nos afastar ou nos aproximar do ato da escrita, e no caso de aproximação pode despertar em nós paixão e até mesmo prazer.


"Ai de nós - é mesmo assim como eu disse: pena, padece e só então escreve" - Rachel de Queiroz - A inspiração não vem para todos.

O Corvo - O que senti ao lê-lo!?


O Corvo
Poema de Edgar Allan Poe
Tradução de Fernando Pessoa

Um poema narrado em primeira pessoa, o qual trata dos problemas da alma de um homem na sua maior intimidade e solidão, em seu poema ele utiliza muitas palavras que nos remetem ao inferno.


O que senti ao lê-lo!?

Na primeira estrofe do poema não compreendi absolutamente nada, precisei voltar e lê-la novamente pensando comigo mesma o quanto precisava mergulhar no poema para compreendê-lo e assim fazer algum sentido para mim.
Nas próximas 4 estrofes, mergulhei, compreendi e estava me divertindo, de repente, como num súbito, eu despertei para vida real, para o barulho que me cercava, para as pessoas que falavam comigo.... Assim me distraindo demorei novamente para retomar o prazer de lê-lo, então tive pressa e muita vontade de me concentrar.
Li uma única estrofe três vezes seguida e segui minha viagem naquele poema, agora sem me preocupar em entendê-lo, mas sim em terminá-lo, foi aí que todo o barulho em minha volta ficou ainda maior, e tudo que me vinha à cabeça era o barulho, inclusive grande de mais para uma concentração de leitura. Falei comigo mesma... “Não, não posso fazer assim, apenas olhar um mar de palavras, preciso associá-las”, aí continuei mais lentamente, mas meu corpo falou mais alto, quando estava quase para terminar o poema, parei, peguei uma bala, me espreguicei e vi se havia ligações em meu celular.. Foi depois desse acontecimento que terminei lendo com pressa e ansiedade, pois minha maior preocupação era acabar logo para dizer o quanto esta leitura dentro desse enorme contexto foi cansativa para mim. Definitivamente tenho que estar concentrada e ter um bom propósito para que minha leitura seja prazerosa e tenha êxito.

domingo, 7 de março de 2010

Respostas no papel


"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"


Autor desconhecido - acreditava ser de Clarice Lispector, segundo informações do site: Pensador.info, porém realizei pesquisa detalhada e não encontrei de qual obra este poema foi retirado. Contudo continuo a gostar do poema e por isso não retiro minhas palavras a baixo.

A maior dificuldade do ser humano é compreender ele mesmo.
A maior busca do ser humano é entender a vida.
Os mais confusos são os que não aceitam.
Os mais complexos são os mais profundos.
Os que indagam, perguntam e não compreendem, são aqueles que passam tudo para o papel...
...E nesse ato de passar ultrapassam as respostas corriqueiras, descobrindo novos porquês e novas respostas.

Hábito da Leitura


Pra mim há uma linha tênue entre escrever e ler, e são práticas muito distantes...
... Sempre gostei de escrever até porque aprendi a me expressar melhor no papel do que oralmente. Porém o fato de aprender a gostar de ler veio como obrigação para escrever ainda mais e melhor, como posso escrever bem e acertar as milhares regras da gramática se não as estudo?! É como um chute no escuro, e fui chutando durante muito tempo da minha adolescência, as vezes fazia gol, as vezes trave e muitas vezes era pra fora, decidi mudar este placar e tirar a venda...Hoje tenho muito prazer na leitura, porém ainda estou no processo de amadurecimento e enriquecimento desse hábito, o qual, facilita cada vez mais o meu prazer de escrever.

sábado, 6 de março de 2010

O preço da maturidade

Antes não tivessem existido escolhas.
Antes não tivessem ocupado cargos importantes.
Antes não tivessem adquirido a cultura do mundo capitalista.
Antes não tivessem encontrado seu verdadeiro amor.
Antes não tivessem aprendido a reagir
Antes fossem aqueles meninos.
Antes tivessem aquela inocência.
Deixassem toda armadura, cultura, luxuria...soberba!
E vivessem mais de poesia.
E brilhassem mais na simplicidade.
E tivessem o coração dos não civilizados.
Há inocência nos sábios?
A inocência dos leigos!
Há arrogância nos leigos?
A arrogância dos sábios!
Antes tivessem aquela humildade de outrora...
...Existente, mas apagada na envergadura da maturidade, na liberdade de se aperfeiçoar.